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Agronegócio

O etanol de milho pôs 29 usinas comprando grão dentro do Brasil, e isso disputa o milho com a exportação.

Por Equipe Porte · Revisão técnica de Eduardo Schumann, Head de Produtos, certificação Ancord · 5 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

O Brasil tem 29 biorrefinarias de etanol de milho em operação, segundo a União Nacional do Etanol de Milho (Unem). Outras 13 já têm autorização de construção da ANP, e 14 estão programadas.

A produção prevista para a safra 2026/27 é de 11,91 bilhões de litros, alta de 17% sobre a safra anterior. O número está no segundo levantamento de cana-de-açúcar da Conab, divulgado em 20 de agosto de 2026.

O que é o etanol de milho

Etanol de milho é o álcool combustível produzido a partir do grão, e não da cana-de-açúcar. A usina quebra o amido do milho em açúcar, fermenta e destila.

A referência técnica do setor é de 430 litros de etanol por tonelada de milho processada. Cada tonelada deixa ainda cerca de 300 quilos de DDGS e de 15 a 18 quilos de óleo de milho. Os números são da fornecedora de tecnologia LucasE3, publicados em 25 de setembro de 2026.

Em 2026/27, o etanol de milho deve responder por 11,91 bilhões dos 41,88 bilhões de litros de etanol previstos no Brasil, cerca de 28% do total. Os dois números são da Conab, em 20 de agosto de 2026.

O que diferencia o etanol de milho do etanol de cana

A diferença operacional está na matéria-prima. Cana é colhida e precisa ser moída em poucos dias, o que concentra a produção na safra. Milho é grão seco, armazenável, e pode ser moído em qualquer mês do ano.

Por isso a usina de milho trabalha o ano todo e não depende do calendário da cana. Ela compra o grão, guarda em silo e produz conforme a demanda por combustível.

Existe também o modelo flex, que processa cana na safra e milho na entressafra, na mesma destilaria.

Os coprodutos entram na conta econômica da usina

O milho não vira só combustível. Cada tonelada processada deixa DDG, o farelo proteico seco de destilaria, e óleo de milho. Os dois são vendidos, e a receita deles entra no resultado da usina.

DDG e DDGS são usados na nutrição animal e substituem parte do farelo de soja e do próprio milho na ração. Em 2025/26, a produção brasileira foi estimada em 4,83 milhões de toneladas, segundo a Unem.

O coproduto já é exportado. O Brasil embarcou 879,4 mil toneladas de DDG em 2025, alta de 9,77% sobre as 801,1 mil toneladas de 2024, para 25 mercados. Em 29 de setembro de 2026, as autoridades sanitárias da Argélia comunicaram ao Ministério da Agricultura e Pecuária a habilitação do produto brasileiro.

Parte do resultado da usina vem de ração e de óleo, mercados com ciclo próprio.

Quantas usinas existem e onde elas estão

O parque está concentrado no Centro-Oeste, e Mato Grosso puxa. O estado responde por 62% da produção nacional de etanol de cereais. A projeção é do Bioind-MT, com elaboração do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), publicada em 25 de maio de 2026.

Pelo mesmo levantamento, Mato Grosso deve processar 16,36 milhões de toneladas de milho em 2026/27, alta de 18,52%. A produção local sobe 18,67%, para 7,33 milhões de metros cúbicos, e a de DDG e DDGS cresce 16,14%, para 3,41 milhões de toneladas.

A logística explica a geografia. Mato Grosso colhe milho em duas safras no mesmo ano e fica longe do porto. Moer o grão perto da lavoura custa menos do que levá-lo até o navio.

A estimativa vem sendo revisada para cima. Em 28 de abril de 2026, a Conab projetava 11,43 bilhões de litros para 2026/27. Em 20 de agosto, subiu para 11,91 bilhões.

A demanda interna disputa o grão com a exportação

Um lote de milho só pode ir para um lugar. Quando a usina de etanol compra o grão em Mato Grosso, aquele volume não embarca no porto.

Em 2025/26, a moagem de milho para etanol foi estimada em 22,2 milhões de toneladas, segundo a Unem. É volume que fica no país.

Do outro lado, o embarque está mais lento. Em 23 de setembro de 2026, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) estimou 5,971 milhões de toneladas de milho embarcadas em setembro. Em setembro de 2025 foram 6,983 milhões. No acumulado do ano, a Anec apontava 20,121 milhões de toneladas.

Já mostramos que o Brasil colheu o milho e o navio não saiu, com exportação bem abaixo dos dois anos anteriores. A indústria de etanol entra nessa equação pelo lado oposto: ela compra dentro do país, todo mês, perto de onde o grão é colhido.

O contrapeso veio de fora em 30 de setembro

A demanda interna não decide sozinha o preço. Em 30 de setembro de 2026, o USDA divulgou o relatório trimestral de estoques. Os estoques de milho dos Estados Unidos em 1º de setembro somavam 2,095 bilhões de bushels, ou 53,2 milhões de toneladas.

É alta de 35% sobre 1º de setembro de 2025, segundo o Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas do USDA (NASS). O mercado esperava bem menos. A média da pesquisa do Dow Jones indicava 1,924 bilhão de bushels, cerca de 48,9 milhões de toneladas.

O número veio acima do topo da faixa dessa pesquisa. Em Chicago, o contrato de milho para dezembro fechou aquele dia a US$ 5,00 e 3/4 por bushel, queda de 21,25 centavos, ou 4,07%. No mês de setembro, o contrato perdeu 6,88%.

Já tratamos de como a referência de fora sustentava o milho brasileiro. O relatório de 30 de setembro foi na direção contrária.

O que muda para quem tem patrimônio no campo

Uma demanda doméstica mais firme e mais constante mexe em duas contas concretas: o calendário de comercialização e o custo de carregar estoque.

Antes, o produtor do Centro-Oeste tinha basicamente uma porta de saída: vender para quem embarca. Com usina de etanol na região, aparece um comprador que compra em março e em outubro, porque mói todo mês.

Isso não elimina risco. O preço segue formado em Chicago, no câmbio e no frete. Os estoques americanos de 30 de setembro mostraram como um relatório muda a tela em um dia.

O que muda é a estrutura da decisão. Antes de escolher o momento de vender, entram três perguntas. Quanto o armazém custa por mês, quando vence a dívida de custeio e quanto tempo o seu caixa permite esperar.

A terceira pergunta é financeira, não agronômica. Ela depende de liquidez planejada, de prazo casado com o calendário da lavoura e de quanto do seu resultado depende do dólar. É aí que o planejamento financeiro de quem vive de safra entra na conta.

Já escrevemos sobre o plantio da soja sob El Niño, porque atraso na soja comprime a janela do milho de segunda safra. A escolha feita agora pode cair às vésperas de um ano de oferta diferente.

A conversa que vale ter é sobre quanto tempo a sua estrutura financeira permite esperar. Fazemos essa conta com produtores e empresas do agro, e você pode falar com a gente.

O Panorama do Agro, nosso material em PDF com safra, clima e calendário, está na biblioteca de materiais.

Perguntas frequentes

O que é etanol de milho?

Etanol de milho é o álcool combustível feito a partir do grão de milho, e não da cana-de-açúcar. A usina converte o amido em açúcar, fermenta e destila o produto. A referência técnica do setor é de 430 litros de etanol por tonelada de milho processada, segundo a fornecedora de tecnologia LucasE3, em 25 de setembro de 2026.

Qual a diferença entre etanol de milho e etanol de cana?

A matéria-prima e o calendário. Cana precisa ser moída poucos dias depois do corte, o que concentra a produção na safra. Milho é grão seco e armazenável, então a usina mói em qualquer mês e opera o ano todo. O milho ainda deixa coprodutos vendáveis, como DDG e óleo de milho.

O que é DDG?

DDG é a sigla de grãos secos de destilaria, o farelo proteico que sobra depois de o amido do milho virar etanol. Com solúveis, passa a ser chamado de DDGS. É usado na nutrição animal e substitui parte do farelo de soja na ração. O Brasil produziu 4,83 milhões de toneladas em 2025/26.

Quantas usinas de etanol de milho existem no Brasil?

São 29 biorrefinarias em operação, segundo a União Nacional do Etanol de Milho (Unem). Outras 13 já têm autorização de construção da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e 14 estão programadas. O parque se concentra no Centro-Oeste, e Mato Grosso responde por 62% da produção nacional de etanol de cereais.

Quanto milho a indústria de etanol consome no Brasil?

A moagem de milho para etanol em 2025/26 foi estimada em 22,2 milhões de toneladas. Dela saíram 9,97 bilhões de litros de etanol e 4,83 milhões de toneladas de DDG e DDGS. Para 2026/27, a Conab projeta 11,91 bilhões de litros de etanol de milho, alta de 17%, em levantamento de 20 de agosto de 2026.

Uma leitura ajuda a organizar a pergunta. A decisão exige contexto.

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