Renda fixa
Com o juro real acima de 7%, o vencimento decide o que o Tesouro IPCA+ entrega.
O Tesouro IPCA+ é um título público que rende a variação da inflação mais uma taxa fixa, definida no dia da compra. Em 14 de setembro de 2026, essa taxa ficava entre 7,25% e 7,61% ao ano nos títulos à venda no Tesouro Direto.
Esse número é o juro real: quanto o dinheiro rende acima do IPCA, o índice oficial de inflação medido pelo IBGE. A taxa contratada vale inteira para quem leva o título até o vencimento. Antes disso, o preço muda todos os dias.
O que é o Tesouro IPCA+, e onde entra a NTN-B
O Tesouro IPCA+ é o nome que o Tesouro Direto dá às Notas do Tesouro Nacional série B, títulos da dívida pública federal. Quem compra empresta dinheiro ao governo. Recebe de volta o valor corrigido pelo IPCA, mais uma taxa fixa ao ano.
Essa taxa aparece no site como "IPCA + 7,61%", por exemplo. Ela é conhecida no dia da compra e não muda para quem comprou. A inflação é a parte que só se conhece depois, mês a mês.
Existem duas versões, que diferem no momento em que o dinheiro volta.
| Nome no Tesouro Direto | Nome técnico | Como paga |
|---|---|---|
| Tesouro IPCA+ | NTN-B Principal | Tudo de uma vez, no vencimento |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | NTN-B | Juros a cada seis meses e o valor principal no vencimento |
Na NTN-B, o cupom é de 6% ao ano sobre o valor corrigido pela inflação, cerca de 2,95% por semestre, segundo a B3. O cupom define o tamanho de cada pagamento. O preço de compra se ajusta para que o título renda a taxa do dia em que você comprou.
Os juros semestrais chegam como dinheiro na conta, o que atende a quem precisa de renda periódica. Em troca, cada pagamento sofre imposto na hora, e o valor recebido precisa ser reinvestido por conta própria.
Quanto está o juro real em setembro de 2026
Há duas formas de medir o juro real. Elas dão números diferentes porque olham em direções opostas.
A primeira compara a Selic de hoje com a inflação dos últimos 12 meses. A Selic está em 14% ao ano desde 5 de agosto de 2026, segundo o comunicado do Copom. O IPCA acumulou 4,22% nos 12 meses até agosto, segundo o IBGE. A conta é 1,14 dividido por 1,0422, menos um, e dá um juro real perto de 9,4% ao ano.
A segunda olha para a frente, e é a que conta para quem compra um título. É a taxa que o Tesouro IPCA+ paga acima da inflação até o vencimento. Estes eram os números no site do Tesouro Direto em 14 de setembro de 2026, às 15h25:
| Título | Vencimento | Taxa acima do IPCA |
|---|---|---|
| Tesouro IPCA+ 2032 | 15/08/2032 | 7,61% ao ano |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 | 15/05/2037 | 7,47% ao ano |
| Tesouro IPCA+ 2040 | 15/08/2040 | 7,29% ao ano |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 | 15/05/2045 | 7,35% ao ano |
| Tesouro IPCA+ 2050 | 15/08/2050 | 7,26% ao ano |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 | 15/08/2060 | 7,25% ao ano |
A lista é informativa e não recomenda nenhum título. As taxas mudam ao longo do dia.
Os dois números não se comparam diretamente. Os 9,4% cruzam a Selic atual com a inflação passada. Os 7,25% a 7,61% são o preço que o mercado cobra para emprestar ao governo por prazos que vão de 2032 a 2060.
A próxima decisão sai na noite desta quarta, 16 de setembro. Explicamos por que a super quarta puxa os juros para lados opostos no artigo de 15 de setembro.
Por que o preço do Tesouro IPCA+ oscila antes do vencimento
O preço do título muda todos os dias porque a taxa oferecida a quem compra também muda. Esse ajuste diário se chama marcação a mercado. Ele mostra quanto o seu título valeria se fosse vendido naquele dia.
A lógica é a de uma gangorra. Quando a taxa de mercado sobe, os títulos já comprados passam a valer menos, porque pagam uma taxa abaixo da nova. Quando a taxa de mercado cai, eles passam a valer mais.
Segue um exemplo ilustrativo, com números redondos, só para mostrar o mecanismo. Um título paga R$ 100 mil no vencimento, em valores já corrigidos pela inflação. O preço dele na compra é esse valor futuro descontado pela taxa de mercado, ano a ano.
| Prazo até o vencimento | Preço com taxa de 7% | Se a taxa for a 8% | Se a taxa for a 6% |
|---|---|---|---|
| 3 anos | R$ 81.630 | R$ 79.383 (-2,8%) | R$ 83.962 (+2,9%) |
| 10 anos | R$ 50.835 | R$ 46.319 (-8,9%) | R$ 55.839 (+9,8%) |
| 20 anos | R$ 25.842 | R$ 21.455 (-17,0%) | R$ 31.180 (+20,7%) |
Na tabela, o mesmo ponto de variação na taxa pesa muito mais nos títulos longos. E o efeito vale nos dois sentidos, com a alta de preço na queda da taxa um pouco maior que a perda na subida.
Pelo mesmo motivo, o título com juros semestrais tende a oscilar menos que o de vencimento igual sem juros. Parte do dinheiro volta antes, e essa parte sofre menos com a mudança de taxa.
No histórico do Tesouro Nacional, o Tesouro IPCA+ 2032 abriu 31 de julho de 2026 com taxa de compra de 8,28% ao ano. Em 14 de setembro, estava em 7,61%.
No mesmo intervalo, o preço unitário de compra passou de R$ 2.941,50 para R$ 3.071,24, alta de 4,4%. Uma parte é a correção normal do título. A maior parte veio da queda da taxa. Quem comprou em 31 de julho e segue com o título continua com os 8,28% contratados.
O que acontece se você levar o título até o vencimento
No vencimento, a marcação a mercado deixa de existir. O Tesouro Nacional paga o valor corrigido pelo IPCA do período mais a taxa contratada na compra, antes de imposto e custódia. Todo o sobe e desce do caminho se desfaz nessa data.
Para quem vai ficar até o fim, a variação diária informa sobre o mercado e não altera o resultado do próprio título.
Vender antes também é possível. O Tesouro Nacional recompra os títulos diariamente, segundo a B3, pelo preço de mercado do momento. O resultado da venda pode ficar acima ou abaixo da taxa contratada, conforme a taxa de mercado tenha caído ou subido desde a compra.
Por isso tratamos o preço do dia e a decisão de carteira como coisas separadas. Foi o mesmo raciocínio de quando a decisão de julho foi não mexer na carteira, mesmo com o Ibovespa em alta.
Tesouro IPCA+ ou Tesouro Prefixado: o que muda num ciclo de corte de juros
O Tesouro Prefixado paga uma taxa total conhecida na compra, sem correção pela inflação. Em 14 de setembro de 2026, o Tesouro Prefixado 2029 pagava 13,87% ao ano, e o Prefixado 2032 pagava 14,24%, segundo o Tesouro Direto.
A diferença entre os dois está em quem fica com a incerteza da inflação. No IPCA+, a inflação do período é somada ao seu rendimento, seja ela alta ou baixa. No prefixado, o número está fechado, e a inflação do caminho consome parte dele.
| Tesouro IPCA+ | Tesouro Prefixado | |
|---|---|---|
| O que você sabe na compra | A taxa acima da inflação | A taxa total |
| O que fica em aberto | A inflação do período | Quanto a inflação vai consumir da taxa |
| O que move o preço antes do vencimento | O juro real de mercado | O juro nominal de mercado |
| Taxa em 14/09/2026, vencimento em 2032 | IPCA + 7,61% (vence em agosto) | 14,24% (vence em janeiro) |
A inflação implícita mostra onde os dois empatam. Com o Prefixado 2032 a 14,24% e o IPCA+ 2032 a 7,61%, a conta é 1,1424 dividido por 1,0761, menos um. O resultado fica perto de 6,2% ao ano.
Esse número não é previsão nossa nem do Tesouro. É o ponto de equilíbrio aproximado entre dois títulos com vencimentos próximos, em janeiro e agosto de 2032. Se a inflação média até lá ficar acima dele, o IPCA+ rende mais. Se ficar abaixo, rende mais o prefixado.
Num ciclo de corte da Selic, as duas taxas costumam reagir antes do Copom. O mercado ajusta os preços assim que passa a esperar os cortes, muitas vezes semanas antes da reunião.
O que separa os dois é a força que puxa cada taxa. O prefixado responde à expectativa para os juros nominais. O IPCA+ responde ao juro real, que depende da Selic e da inflação ao mesmo tempo. Se juros e inflação caem juntos, o juro real pode mudar pouco.
A taxa de cada título já embute os cortes que o mercado espera. A valorização extra só aparece se os juros caírem mais do que os preços previam. Se caírem menos, o efeito é o contrário.
Imposto de renda e taxa de custódia do Tesouro IPCA+ em 2026
O Tesouro IPCA+ segue a tabela regressiva de imposto de renda da renda fixa, prevista na Lei 11.033, de 2004. A alíquota cai conforme o tempo da aplicação, incide só sobre o ganho e é retida na fonte.
| Prazo da aplicação | Alíquota de imposto de renda |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
A regra segue a mesma em 2026. A Medida Provisória 1.303, de 2025, propunha mudar a tributação das aplicações financeiras, mas perdeu a vigência em outubro de 2025 sem ser votada.
Na versão com juros semestrais, o imposto é retido a cada pagamento de juros. A alíquota segue o tempo contado desde a compra, então os primeiros cupons podem pagar 22,5% ou 20%. Resgates em menos de 30 dias ainda pagam IOF, segundo a B3.
A taxa de custódia da B3 é de 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos. Desde 31 de dezembro de 2024, ela é acumulada dia a dia e descontada de uma vez. O desconto ocorre na venda antecipada, no vencimento ou no pagamento de juros.
A instituição por onde você investe pode ter tarifa própria.
Uma conta ilustrativa, com valores escolhidos só para facilitar a leitura. Você aplica R$ 100 mil e recebe R$ 180 mil brutos no vencimento, oito anos depois. O ganho é de R$ 80 mil.
Com mais de 720 dias, o imposto é de 15% sobre o ganho, ou R$ 12 mil. A custódia de 0,20% ao ano, sobre um saldo que cresce de R$ 100 mil a R$ 180 mil, soma perto de R$ 2,2 mil em oito anos. O valor líquido fica perto de R$ 166 mil.
Se o mesmo título fosse vendido com 300 dias, a alíquota seria de 20%. E o valor recebido dependeria do preço de mercado daquele dia.
O vencimento do título e a data do seu objetivo
A pergunta que organiza a decisão é uma só: quando esse dinheiro vai ser usado? Quando o vencimento do título fica perto dessa data, a oscilação do caminho deixa de forçar uma venda fora de hora.
Alguns objetivos têm data e se comportam como a inflação brasileira:
- Um compromisso com data marcada, como a faculdade de um filho ou a compra de um imóvel, tem prazo conhecido e custo que costuma subir com os preços.
- A renda na aposentadoria pede dinheiro chegando ao longo do tempo, que é o desenho dos títulos com juros semestrais. O tema costuma ser tratado junto com a previdência privada.
O caso em que o Tesouro IPCA+ não serve também precisa estar claro. Dinheiro que pode ser necessário a qualquer momento fica sujeito ao preço do dia. Um título de 2050 vendido depois de uma alta de taxas pode render bem abaixo do contratado.
O mesmo vale para objetivos que não seguem o IPCA. Uma despesa em dólar, como estudo no exterior, varia com o câmbio, e a correção pela inflação brasileira não acompanha esse movimento.
Mapear essas datas é parte do planejamento financeiro, e vem antes da escolha de qualquer título. A decisão do Copom desta quarta pode mexer no preço dos títulos. O prazo dos seus objetivos continua o mesmo, e é ele que orienta a estratégia de investimentos.
Colocar os vencimentos da sua renda fixa ao lado das datas dos seus objetivos é uma conta que fazemos numa conversa com um assessor.
Perguntas frequentes
O que é o Tesouro IPCA+?
O Tesouro IPCA+ é um título público federal vendido no Tesouro Direto. Ele rende a variação do IPCA, a inflação oficial medida pelo IBGE, mais uma taxa fixa definida na compra. Existe a versão que paga tudo no vencimento, chamada NTN-B Principal, e a que paga juros semestrais, chamada NTN-B.
Qual a diferença entre NTN-B e NTN-B Principal?
As duas rendem o IPCA mais uma taxa fixa. A NTN-B Principal, vendida como Tesouro IPCA+, paga tudo no vencimento. A NTN-B, vendida como Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais, paga cupom de 6% ao ano sobre o valor corrigido, em duas parcelas anuais. Nela, o imposto de renda é retido a cada pagamento.
Quanto rende o Tesouro IPCA+ hoje?
Em 14 de setembro de 2026, os títulos Tesouro IPCA+ à venda no Tesouro Direto pagavam entre 7,25% e 7,61% ao ano acima da inflação, conforme o vencimento. O rendimento total soma essa taxa ao IPCA do período. As taxas mudam ao longo do dia e não indicam retorno futuro.
Posso perder dinheiro no Tesouro IPCA+?
Na venda antes do vencimento, sim. O título sai pelo preço de mercado do dia, que cai quando as taxas sobem. Quem leva até o vencimento recebe o IPCA do período mais a taxa contratada. Desse valor saem o imposto de renda e a custódia da B3, de 0,20% ao ano.
Qual a diferença entre Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado?
O Tesouro IPCA+ paga a inflação mais uma taxa fixa. O Tesouro Prefixado paga uma taxa total, conhecida na compra. Em 14 de setembro de 2026, o Prefixado 2032 pagava 14,24% ao ano e o IPCA+ 2032, IPCA mais 7,61%. Os dois empatam com inflação média perto de 6,2% ao ano.
Qual é o imposto de renda do Tesouro IPCA+?
Segue a tabela regressiva da renda fixa, prevista na Lei 11.033/2004. As alíquotas são 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima disso. O imposto incide só sobre o ganho e é retido na fonte. Resgates em menos de 30 dias também pagam IOF.
Conteúdo informativo. Não constitui recomendação, oferta ou consultoria de valores mobiliários, nem análise de valores mobiliários, e não configura consultoria tributária. Não representa indicação de compra ou venda de qualquer ativo. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura. Investimentos envolvem riscos, inclusive de perda do capital investido. Porte Investimentos, assessoria de investimentos credenciada ao Banco Safra, plataforma Safra Invest.
