Pular para o conteúdo

Renda fixa

Com o juro real acima de 7%, o vencimento decide o que o Tesouro IPCA+ entrega.

Por Equipe Porte · Revisão técnica de Eduardo Schumann, Head de Produtos, certificação Ancord · 16 de setembro de 2026 · 11 min de leitura

O Tesouro IPCA+ é um título público que rende a variação da inflação mais uma taxa fixa, definida no dia da compra. Em 14 de setembro de 2026, essa taxa ficava entre 7,25% e 7,61% ao ano nos títulos à venda no Tesouro Direto.

Esse número é o juro real: quanto o dinheiro rende acima do IPCA, o índice oficial de inflação medido pelo IBGE. A taxa contratada vale inteira para quem leva o título até o vencimento. Antes disso, o preço muda todos os dias.

O que é o Tesouro IPCA+, e onde entra a NTN-B

O Tesouro IPCA+ é o nome que o Tesouro Direto dá às Notas do Tesouro Nacional série B, títulos da dívida pública federal. Quem compra empresta dinheiro ao governo. Recebe de volta o valor corrigido pelo IPCA, mais uma taxa fixa ao ano.

Essa taxa aparece no site como "IPCA + 7,61%", por exemplo. Ela é conhecida no dia da compra e não muda para quem comprou. A inflação é a parte que só se conhece depois, mês a mês.

Existem duas versões, que diferem no momento em que o dinheiro volta.

Nome no Tesouro DiretoNome técnicoComo paga
Tesouro IPCA+NTN-B PrincipalTudo de uma vez, no vencimento
Tesouro IPCA+ com Juros SemestraisNTN-BJuros a cada seis meses e o valor principal no vencimento

Na NTN-B, o cupom é de 6% ao ano sobre o valor corrigido pela inflação, cerca de 2,95% por semestre, segundo a B3. O cupom define o tamanho de cada pagamento. O preço de compra se ajusta para que o título renda a taxa do dia em que você comprou.

Os juros semestrais chegam como dinheiro na conta, o que atende a quem precisa de renda periódica. Em troca, cada pagamento sofre imposto na hora, e o valor recebido precisa ser reinvestido por conta própria.

Quanto está o juro real em setembro de 2026

Há duas formas de medir o juro real. Elas dão números diferentes porque olham em direções opostas.

A primeira compara a Selic de hoje com a inflação dos últimos 12 meses. A Selic está em 14% ao ano desde 5 de agosto de 2026, segundo o comunicado do Copom. O IPCA acumulou 4,22% nos 12 meses até agosto, segundo o IBGE. A conta é 1,14 dividido por 1,0422, menos um, e dá um juro real perto de 9,4% ao ano.

A segunda olha para a frente, e é a que conta para quem compra um título. É a taxa que o Tesouro IPCA+ paga acima da inflação até o vencimento. Estes eram os números no site do Tesouro Direto em 14 de setembro de 2026, às 15h25:

TítuloVencimentoTaxa acima do IPCA
Tesouro IPCA+ 203215/08/20327,61% ao ano
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 203715/05/20377,47% ao ano
Tesouro IPCA+ 204015/08/20407,29% ao ano
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 204515/05/20457,35% ao ano
Tesouro IPCA+ 205015/08/20507,26% ao ano
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 206015/08/20607,25% ao ano

A lista é informativa e não recomenda nenhum título. As taxas mudam ao longo do dia.

Os dois números não se comparam diretamente. Os 9,4% cruzam a Selic atual com a inflação passada. Os 7,25% a 7,61% são o preço que o mercado cobra para emprestar ao governo por prazos que vão de 2032 a 2060.

A próxima decisão sai na noite desta quarta, 16 de setembro. Explicamos por que a super quarta puxa os juros para lados opostos no artigo de 15 de setembro.

Por que o preço do Tesouro IPCA+ oscila antes do vencimento

O preço do título muda todos os dias porque a taxa oferecida a quem compra também muda. Esse ajuste diário se chama marcação a mercado. Ele mostra quanto o seu título valeria se fosse vendido naquele dia.

A lógica é a de uma gangorra. Quando a taxa de mercado sobe, os títulos já comprados passam a valer menos, porque pagam uma taxa abaixo da nova. Quando a taxa de mercado cai, eles passam a valer mais.

Segue um exemplo ilustrativo, com números redondos, só para mostrar o mecanismo. Um título paga R$ 100 mil no vencimento, em valores já corrigidos pela inflação. O preço dele na compra é esse valor futuro descontado pela taxa de mercado, ano a ano.

Prazo até o vencimentoPreço com taxa de 7%Se a taxa for a 8%Se a taxa for a 6%
3 anosR$ 81.630R$ 79.383 (-2,8%)R$ 83.962 (+2,9%)
10 anosR$ 50.835R$ 46.319 (-8,9%)R$ 55.839 (+9,8%)
20 anosR$ 25.842R$ 21.455 (-17,0%)R$ 31.180 (+20,7%)

Na tabela, o mesmo ponto de variação na taxa pesa muito mais nos títulos longos. E o efeito vale nos dois sentidos, com a alta de preço na queda da taxa um pouco maior que a perda na subida.

Pelo mesmo motivo, o título com juros semestrais tende a oscilar menos que o de vencimento igual sem juros. Parte do dinheiro volta antes, e essa parte sofre menos com a mudança de taxa.

No histórico do Tesouro Nacional, o Tesouro IPCA+ 2032 abriu 31 de julho de 2026 com taxa de compra de 8,28% ao ano. Em 14 de setembro, estava em 7,61%.

No mesmo intervalo, o preço unitário de compra passou de R$ 2.941,50 para R$ 3.071,24, alta de 4,4%. Uma parte é a correção normal do título. A maior parte veio da queda da taxa. Quem comprou em 31 de julho e segue com o título continua com os 8,28% contratados.

O que acontece se você levar o título até o vencimento

No vencimento, a marcação a mercado deixa de existir. O Tesouro Nacional paga o valor corrigido pelo IPCA do período mais a taxa contratada na compra, antes de imposto e custódia. Todo o sobe e desce do caminho se desfaz nessa data.

Para quem vai ficar até o fim, a variação diária informa sobre o mercado e não altera o resultado do próprio título.

Vender antes também é possível. O Tesouro Nacional recompra os títulos diariamente, segundo a B3, pelo preço de mercado do momento. O resultado da venda pode ficar acima ou abaixo da taxa contratada, conforme a taxa de mercado tenha caído ou subido desde a compra.

Por isso tratamos o preço do dia e a decisão de carteira como coisas separadas. Foi o mesmo raciocínio de quando a decisão de julho foi não mexer na carteira, mesmo com o Ibovespa em alta.

Tesouro IPCA+ ou Tesouro Prefixado: o que muda num ciclo de corte de juros

O Tesouro Prefixado paga uma taxa total conhecida na compra, sem correção pela inflação. Em 14 de setembro de 2026, o Tesouro Prefixado 2029 pagava 13,87% ao ano, e o Prefixado 2032 pagava 14,24%, segundo o Tesouro Direto.

A diferença entre os dois está em quem fica com a incerteza da inflação. No IPCA+, a inflação do período é somada ao seu rendimento, seja ela alta ou baixa. No prefixado, o número está fechado, e a inflação do caminho consome parte dele.

Tesouro IPCA+Tesouro Prefixado
O que você sabe na compraA taxa acima da inflaçãoA taxa total
O que fica em abertoA inflação do períodoQuanto a inflação vai consumir da taxa
O que move o preço antes do vencimentoO juro real de mercadoO juro nominal de mercado
Taxa em 14/09/2026, vencimento em 2032IPCA + 7,61% (vence em agosto)14,24% (vence em janeiro)

A inflação implícita mostra onde os dois empatam. Com o Prefixado 2032 a 14,24% e o IPCA+ 2032 a 7,61%, a conta é 1,1424 dividido por 1,0761, menos um. O resultado fica perto de 6,2% ao ano.

Esse número não é previsão nossa nem do Tesouro. É o ponto de equilíbrio aproximado entre dois títulos com vencimentos próximos, em janeiro e agosto de 2032. Se a inflação média até lá ficar acima dele, o IPCA+ rende mais. Se ficar abaixo, rende mais o prefixado.

Num ciclo de corte da Selic, as duas taxas costumam reagir antes do Copom. O mercado ajusta os preços assim que passa a esperar os cortes, muitas vezes semanas antes da reunião.

O que separa os dois é a força que puxa cada taxa. O prefixado responde à expectativa para os juros nominais. O IPCA+ responde ao juro real, que depende da Selic e da inflação ao mesmo tempo. Se juros e inflação caem juntos, o juro real pode mudar pouco.

A taxa de cada título já embute os cortes que o mercado espera. A valorização extra só aparece se os juros caírem mais do que os preços previam. Se caírem menos, o efeito é o contrário.

Imposto de renda e taxa de custódia do Tesouro IPCA+ em 2026

O Tesouro IPCA+ segue a tabela regressiva de imposto de renda da renda fixa, prevista na Lei 11.033, de 2004. A alíquota cai conforme o tempo da aplicação, incide só sobre o ganho e é retida na fonte.

Prazo da aplicaçãoAlíquota de imposto de renda
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

A regra segue a mesma em 2026. A Medida Provisória 1.303, de 2025, propunha mudar a tributação das aplicações financeiras, mas perdeu a vigência em outubro de 2025 sem ser votada.

Na versão com juros semestrais, o imposto é retido a cada pagamento de juros. A alíquota segue o tempo contado desde a compra, então os primeiros cupons podem pagar 22,5% ou 20%. Resgates em menos de 30 dias ainda pagam IOF, segundo a B3.

A taxa de custódia da B3 é de 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos. Desde 31 de dezembro de 2024, ela é acumulada dia a dia e descontada de uma vez. O desconto ocorre na venda antecipada, no vencimento ou no pagamento de juros.

A instituição por onde você investe pode ter tarifa própria.

Uma conta ilustrativa, com valores escolhidos só para facilitar a leitura. Você aplica R$ 100 mil e recebe R$ 180 mil brutos no vencimento, oito anos depois. O ganho é de R$ 80 mil.

Com mais de 720 dias, o imposto é de 15% sobre o ganho, ou R$ 12 mil. A custódia de 0,20% ao ano, sobre um saldo que cresce de R$ 100 mil a R$ 180 mil, soma perto de R$ 2,2 mil em oito anos. O valor líquido fica perto de R$ 166 mil.

Se o mesmo título fosse vendido com 300 dias, a alíquota seria de 20%. E o valor recebido dependeria do preço de mercado daquele dia.

O vencimento do título e a data do seu objetivo

A pergunta que organiza a decisão é uma só: quando esse dinheiro vai ser usado? Quando o vencimento do título fica perto dessa data, a oscilação do caminho deixa de forçar uma venda fora de hora.

Alguns objetivos têm data e se comportam como a inflação brasileira:

  • Um compromisso com data marcada, como a faculdade de um filho ou a compra de um imóvel, tem prazo conhecido e custo que costuma subir com os preços.
  • A renda na aposentadoria pede dinheiro chegando ao longo do tempo, que é o desenho dos títulos com juros semestrais. O tema costuma ser tratado junto com a previdência privada.

O caso em que o Tesouro IPCA+ não serve também precisa estar claro. Dinheiro que pode ser necessário a qualquer momento fica sujeito ao preço do dia. Um título de 2050 vendido depois de uma alta de taxas pode render bem abaixo do contratado.

O mesmo vale para objetivos que não seguem o IPCA. Uma despesa em dólar, como estudo no exterior, varia com o câmbio, e a correção pela inflação brasileira não acompanha esse movimento.

Mapear essas datas é parte do planejamento financeiro, e vem antes da escolha de qualquer título. A decisão do Copom desta quarta pode mexer no preço dos títulos. O prazo dos seus objetivos continua o mesmo, e é ele que orienta a estratégia de investimentos.

Colocar os vencimentos da sua renda fixa ao lado das datas dos seus objetivos é uma conta que fazemos numa conversa com um assessor.

Perguntas frequentes

O que é o Tesouro IPCA+?

O Tesouro IPCA+ é um título público federal vendido no Tesouro Direto. Ele rende a variação do IPCA, a inflação oficial medida pelo IBGE, mais uma taxa fixa definida na compra. Existe a versão que paga tudo no vencimento, chamada NTN-B Principal, e a que paga juros semestrais, chamada NTN-B.

Qual a diferença entre NTN-B e NTN-B Principal?

As duas rendem o IPCA mais uma taxa fixa. A NTN-B Principal, vendida como Tesouro IPCA+, paga tudo no vencimento. A NTN-B, vendida como Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais, paga cupom de 6% ao ano sobre o valor corrigido, em duas parcelas anuais. Nela, o imposto de renda é retido a cada pagamento.

Quanto rende o Tesouro IPCA+ hoje?

Em 14 de setembro de 2026, os títulos Tesouro IPCA+ à venda no Tesouro Direto pagavam entre 7,25% e 7,61% ao ano acima da inflação, conforme o vencimento. O rendimento total soma essa taxa ao IPCA do período. As taxas mudam ao longo do dia e não indicam retorno futuro.

Posso perder dinheiro no Tesouro IPCA+?

Na venda antes do vencimento, sim. O título sai pelo preço de mercado do dia, que cai quando as taxas sobem. Quem leva até o vencimento recebe o IPCA do período mais a taxa contratada. Desse valor saem o imposto de renda e a custódia da B3, de 0,20% ao ano.

Qual a diferença entre Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado?

O Tesouro IPCA+ paga a inflação mais uma taxa fixa. O Tesouro Prefixado paga uma taxa total, conhecida na compra. Em 14 de setembro de 2026, o Prefixado 2032 pagava 14,24% ao ano e o IPCA+ 2032, IPCA mais 7,61%. Os dois empatam com inflação média perto de 6,2% ao ano.

Qual é o imposto de renda do Tesouro IPCA+?

Segue a tabela regressiva da renda fixa, prevista na Lei 11.033/2004. As alíquotas são 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima disso. O imposto incide só sobre o ganho e é retido na fonte. Resgates em menos de 30 dias também pagam IOF.

Uma leitura ajuda a organizar a pergunta. A decisão exige contexto.

Converse com a equipe para entender como este tema se relaciona com o seu momento e com o restante do patrimônio.

Fale com um assessor