Investir no exterior
ETF é um fundo de índice negociado na bolsa, e o dinheiro novo nesses fundos bate recorde em 2026.
ETF é um fundo de investimento que acompanha um índice, como o Ibovespa, e cujas cotas são compradas e vendidas na bolsa, como uma ação. A sigla vem do inglês exchange traded fund. No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) chama o produto de fundo de índice.
A entrada de dinheiro nesses fundos em 2026 é a maior já registrada para o período. De janeiro a julho de 2026, os ETFs do mundo captaram US$ 1,71 trilhão líquidos, segundo a consultoria ETFGI. Na B3, o número de ETFs listados passou de 200 pela primeira vez em junho.
O que é um ETF, na definição da CVM
A CVM regula os ETFs no Anexo Normativo V da Resolução 175. O texto define o fundo de índice como uma carteira que busca refletir as variações e a rentabilidade de um índice de referência. Esse índice pode ser nacional ou estrangeiro.
Na prática, o gestor monta a carteira com os ativos do índice, nas mesmas proporções, sem escolher ações ou títulos pela própria convicção. Pela norma, pelo menos 95% do patrimônio fica nesses ativos, em contratos futuros do índice ou em cotas de outros ETFs que sigam o mesmo índice.
Ao comprar uma cota de um ETF que acompanha o Ibovespa, você passa a ter uma fração de uma carteira com as ações que compõem o índice. Com uma única ordem na bolsa, a exposição chega a dezenas de empresas.
A regra também fecha algumas portas. A CVM proíbe ETF alavancado, ETF inverso (que ganha quando o índice cai) e cobrança de taxa de performance. Se a cota se descolar do índice em mais de 2 pontos percentuais em 60 pregões, sem correção, o administrador precisa convocar os cotistas.
Qual a diferença entre ETF, fundo tradicional e ação
O ETF combina características de dois produtos que você já conhece. Ele é um fundo, com carteira diversificada, regulamento e administrador. Mas se negocia como ação, com preço que muda ao longo do pregão.
| ETF | Fundo tradicional (aberto) | Ação | |
|---|---|---|---|
| O que você compra | Cota de uma carteira que replica um índice | Cota de uma carteira montada pelo gestor | Parte de uma única empresa |
| Como entra e sai | Compra e venda na bolsa, durante o pregão | Aplicação e resgate no próprio fundo, nos prazos do regulamento | Compra e venda na bolsa, durante o pregão |
| Taxa de performance | Proibida pela CVM | Permitida, se prevista no regulamento | Não se aplica |
| Come-cotas (imposto antecipado em maio e novembro) | Não tem | Tem, nos fundos sujeitos à tributação periódica | Não tem |
| Isenção para vendas de até R$ 20 mil no mês | Não tem | Não se aplica | Tem, no mercado à vista |
A diferença que mais pesa no dia a dia é a saída. No fundo aberto, o resgate segue o prazo do regulamento. No ETF, você vende a cota para outro investidor na bolsa. Segundo a B3, o dinheiro cai em dois dias úteis no ETF de ações e em um dia útil no de renda fixa.
Quais tipos de ETF existem na B3
A B3 encerrou junho de 2026 com 204 ETFs listados, contra 175 no fim de 2025. O patrimônio desses fundos chegou a R$ 126 bilhões, e 870 mil investidores tinham cotas em custódia. Os dados são da própria bolsa, divulgados em 30 de julho.
De forma geral, esses fundos se dividem em três famílias. A B3 também lista ETFs de ouro e de criptoativos, que seguem índices próprios.
ETF de ações brasileiras
Acompanha índices de ações negociadas na própria B3. O mais conhecido replica o Ibovespa, mas há ETFs de índices de empresas menores e de empresas pagadoras de dividendos. Cada índice se comporta de um jeito, como mostra a comparação entre o Ibovespa e as small caps em cinco anos.
ETF de renda fixa
Acompanha índices de títulos públicos ou privados, como os que medem carteiras de títulos atrelados à inflação. Para ter a tributação própria de renda fixa, a Lei 13.043, de 2014, exige que pelo menos 75% da carteira esteja em títulos do índice de referência. O imposto desse tipo segue outra tabela, como mostramos adiante.
ETF internacional
Acompanha um índice de fora do Brasil, como o S&P 500, das 500 maiores empresas listadas nos Estados Unidos. A cota é comprada em reais, na B3, e o fundo investe no exterior. O resultado depende do índice e da variação do câmbio, a não ser que o fundo proteja a carteira da oscilação do dólar.
Existe um segundo caminho para o mesmo destino: o BDR de ETF. Nesse caso, você compra na B3 um certificado que representa a cota de um ETF listado em outra bolsa. Pela regra da CVM, parte desses certificados só pode ser comprada por investidores qualificados. Detalhamos como funciona o BDR em um guia próprio.
Para onde foi o dinheiro dos ETFs em 2026
O fluxo mostra onde os investidores colocaram dinheiro novo. Ele não diz se um mercado vai subir ou cair. Os números abaixo vêm de levantamentos públicos, cada um com recorte e data próprios.
| Mercado | O que aconteceu em 2026 | Fonte e data |
|---|---|---|
| ETFs do mundo | Entrada líquida de US$ 1,71 trilhão, o maior valor já registrado para o período | ETFGI, janeiro a julho |
| ETFs listados nos Estados Unidos | Mais de US$ 1,4 trilhão, com recorde anual para países desenvolvidos e emergentes | State Street, até 31 de agosto |
| ETFs listados na China | Saída de 805,3 bilhões de yuans no 1º trimestre e de 752,4 bilhões no 2º | Morningstar, até 30 de junho |
| ETFs listados na B3 | Patrimônio 38,5% maior no primeiro semestre, para R$ 126 bilhões | B3, até 30 de junho |
No mundo, o maior volume já registrado
Os ETFs do mundo somavam US$ 23,11 trilhões em patrimônio no fim de julho de 2026, segundo a ETFGI. A entrada de US$ 1,71 trilhão em sete meses superou o recorde anterior para o período, de US$ 1,09 trilhão em 2025.
Entre as categorias que a consultoria acompanha, os ETFs de ações receberam US$ 772,88 bilhões, contra US$ 477,77 bilhões nos mesmos sete meses de 2025. Os de renda fixa receberam US$ 314,70 bilhões, contra US$ 216,53 bilhões.
Nos Estados Unidos, mais dinheiro indo para fora do país
Até 31 de agosto, os ETFs listados nos Estados Unidos haviam recebido mais de US$ 1,4 trilhão em 2026, segundo a State Street Investment Management.
Parte relevante buscou outros mercados. Os ETFs de países desenvolvidos fora dos Estados Unidos captaram US$ 129,6 bilhões, acima do recorde de todo o ano de 2025. Os de mercados emergentes somaram US$ 50,6 bilhões, novo recorde anual, acima dos US$ 37 bilhões de 2017.
Na China, resgates puxados pelo Estado
No sentido contrário ficou o mercado de ETFs da China. Os fundos listados no país tiveram saída líquida de 805,3 bilhões de yuans no primeiro trimestre e de 752,4 bilhões no segundo, segundo a Morningstar.
O principal motor foi a Central Huijin, braço de investimento do Estado chinês, que resgatou grandes volumes de ETFs amplos de ações. O patrimônio desses fundos terminou junho em 4,58 trilhões de yuans, 22% abaixo do pico do fim de 2025.
No Brasil, patrimônio 38,5% maior no semestre
Aqui dentro, o patrimônio dos ETFs listados na B3 subiu 38,5% no primeiro semestre de 2026, para R$ 126 bilhões, segundo a bolsa. O número soma o dinheiro novo e a variação das cotas no período.
Quanto custa um ETF, além da taxa de administração
O custo mais visível é a taxa de administração, cobrada ao ano e já descontada do valor da cota. A CVM obriga o fundo a divulgar taxas e despesas em destaque na sua página na internet. Taxa de performance não existe nesse produto, porque a norma proíbe.
Outros custos não aparecem na taxa. Na compra e na venda entram a corretagem, quando houver, e os emolumentos da B3. Existe ainda a diferença entre o melhor preço de compra e o de venda na tela, o chamado spread.
O spread depende da liquidez. Para sustentá-la, os ETFs contam com formadores de mercado, instituições que mantêm ofertas de compra e venda durante o pregão. A CVM proíbe que o gestor do fundo exerça esse papel.
No primeiro semestre de 2026, os ETFs da B3 negociaram R$ 1,85 bilhão por dia, em média. Em junho, só três fundos responderam por quase 60% desse volume, segundo a bolsa.
O último custo é o descolamento. Mesmo seguindo o índice, a cota costuma render um pouco menos que ele, por causa das taxas e dos ajustes de carteira. No ETF internacional, a variação do câmbio também entra no resultado.
Como o imposto sobre ETF funciona em 2026
As regras de 2026 são as mesmas do ano passado. A Medida Provisória 1.303, que mudava a tributação de aplicações financeiras, perdeu a vigência em 8 de outubro de 2025, depois de ser retirada da pauta da Câmara. Contamos essa história no artigo sobre a LCA.
| Tipo de ETF | Imposto sobre o ganho | Como é pago | Fonte |
|---|---|---|---|
| Ações brasileiras | 15% | Pelo investidor, por DARF, até o último dia útil do mês seguinte à venda | B3 |
| Internacional listado na B3 | 15% | Pelo investidor, por DARF, como no ETF de ações | B3 |
| Renda fixa | 25%, 20% ou 15%, conforme o prazo médio da carteira | Retido na fonte, sem DARF | Lei 13.043/2014, art. 2º |
| Rendimento distribuído (ETFs que não são de renda fixa) | 15% | Retido na fonte | Lei 14.754/2023, art. 24 |
O ETF de ações não tem a isenção para vendas de até R$ 20 mil no mês que vale para ações.
No ETF de renda fixa, a alíquota depende do prazo médio dos títulos da carteira, e não do tempo que você fica com a cota. São 25% até 180 dias, 20% de 181 a 720 dias e 15% acima disso.
O ETF também não tem come-cotas, a antecipação de imposto em maio e novembro. Segundo a B3, o ETF de renda fixa também não paga IOF, mesmo em vendas feitas antes de 30 dias.
Se o investimento for feito direto em um ETF listado em outro país, sem passar pela B3, vale a lei das aplicações no exterior. Os detalhes estão no nosso texto sobre imposto sobre investimento no exterior.
Índice, moeda e prazo na sua carteira
Com uma única cota, o ETF resolve um problema prático: ter exposição a um índice inteiro sem montar a carteira ativo por ativo.
Diversificar fora do Brasil com ETF internacional envolve duas escolhas que andam juntas: o índice e a moeda. Um índice amplo e um índice de um único país se comportam de forma muito diferente. E a parcela em dólar depende das suas despesas, dívidas e planos fora do país.
O fluxo de 2026 mostra para onde o dinheiro foi e ajuda a entender o momento. Ele não responde se um ETF cabe na sua carteira. Essa resposta vem de prazo, liquidez, imposto e peso de cada moeda, definidos no planejamento financeiro.
Quer entender o papel dos ETFs e dos investimentos fora do Brasil no seu patrimônio? Converse com um assessor.
Perguntas frequentes
O que é ETF?
ETF é um fundo de índice cujas cotas são negociadas na bolsa, como ações. A carteira busca reproduzir um índice de referência, como o Ibovespa ou o S&P 500. Pela regra da CVM, pelo menos 95% do patrimônio precisa estar em ativos do índice, em contratos futuros dele ou em cotas de ETFs equivalentes.
Qual a diferença entre ETF e fundo de investimento tradicional?
O ETF é negociado na bolsa: você entra e sai comprando e vendendo cotas durante o pregão. No fundo tradicional, aplicação e resgate são feitos no próprio fundo, nos prazos do regulamento. O ETF também não tem come-cotas nem taxa de performance, que a CVM proíbe nesse tipo de fundo.
Como é o imposto de ETF em 2026?
No ETF de ações e no internacional listado na B3, o ganho paga 15%, recolhido pelo investidor por DARF, sem isenção de R$ 20 mil. No ETF de renda fixa, o imposto é retido na fonte: 25%, 20% ou 15%, conforme o prazo médio da carteira. As regras não mudaram em 2026.
O que é ETF internacional?
É um ETF negociado na B3, em reais, que acompanha um índice de fora do Brasil, como o S&P 500. O resultado reflete o desempenho do índice e a variação do câmbio, salvo quando o fundo protege a carteira do dólar. O ganho na venda é tributado em 15%, como no ETF de ações.
ETF paga dividendos?
Depende do regulamento de cada fundo. Alguns ETFs reinvestem na carteira os proventos recebidos das empresas. Outros distribuem rendimentos aos cotistas, o que a norma da CVM permite. Nos ETFs que não são de renda fixa, o rendimento distribuído tem 15% de imposto retido na fonte, conforme a Lei 14.754, de 2023.
Quantos ETFs existem na B3?
A B3 encerrou junho de 2026 com 204 ETFs listados, a primeira vez acima de 200. No fim de 2025 eram 175. O patrimônio desses fundos somava R$ 126 bilhões, e 870 mil investidores tinham cotas em custódia, segundo dados da própria bolsa divulgados em 30 de julho de 2026.
Conteúdo informativo. Não constitui recomendação, oferta ou consultoria de valores mobiliários, nem análise de valores mobiliários, e não configura consultoria tributária. Não representa indicação de compra ou venda de qualquer ativo. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura. Investimentos envolvem riscos, inclusive de perda do capital investido e de variação cambial. Antes de investir, leia o regulamento do fundo. Porte Investimentos, assessoria de investimentos credenciada ao Banco Safra, plataforma Safra Invest.
