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Investir no exterior

ETF é um fundo de índice negociado na bolsa, e o dinheiro novo nesses fundos bate recorde em 2026.

Por Equipe Porte · Revisão técnica de Eduardo Schumann, Head de Produtos, certificação Ancord · 24 de setembro de 2026 · 10 min de leitura

ETF é um fundo de investimento que acompanha um índice, como o Ibovespa, e cujas cotas são compradas e vendidas na bolsa, como uma ação. A sigla vem do inglês exchange traded fund. No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) chama o produto de fundo de índice.

A entrada de dinheiro nesses fundos em 2026 é a maior já registrada para o período. De janeiro a julho de 2026, os ETFs do mundo captaram US$ 1,71 trilhão líquidos, segundo a consultoria ETFGI. Na B3, o número de ETFs listados passou de 200 pela primeira vez em junho.

O que é um ETF, na definição da CVM

A CVM regula os ETFs no Anexo Normativo V da Resolução 175. O texto define o fundo de índice como uma carteira que busca refletir as variações e a rentabilidade de um índice de referência. Esse índice pode ser nacional ou estrangeiro.

Na prática, o gestor monta a carteira com os ativos do índice, nas mesmas proporções, sem escolher ações ou títulos pela própria convicção. Pela norma, pelo menos 95% do patrimônio fica nesses ativos, em contratos futuros do índice ou em cotas de outros ETFs que sigam o mesmo índice.

Ao comprar uma cota de um ETF que acompanha o Ibovespa, você passa a ter uma fração de uma carteira com as ações que compõem o índice. Com uma única ordem na bolsa, a exposição chega a dezenas de empresas.

A regra também fecha algumas portas. A CVM proíbe ETF alavancado, ETF inverso (que ganha quando o índice cai) e cobrança de taxa de performance. Se a cota se descolar do índice em mais de 2 pontos percentuais em 60 pregões, sem correção, o administrador precisa convocar os cotistas.

Qual a diferença entre ETF, fundo tradicional e ação

O ETF combina características de dois produtos que você já conhece. Ele é um fundo, com carteira diversificada, regulamento e administrador. Mas se negocia como ação, com preço que muda ao longo do pregão.

ETFFundo tradicional (aberto)Ação
O que você compraCota de uma carteira que replica um índiceCota de uma carteira montada pelo gestorParte de uma única empresa
Como entra e saiCompra e venda na bolsa, durante o pregãoAplicação e resgate no próprio fundo, nos prazos do regulamentoCompra e venda na bolsa, durante o pregão
Taxa de performanceProibida pela CVMPermitida, se prevista no regulamentoNão se aplica
Come-cotas (imposto antecipado em maio e novembro)Não temTem, nos fundos sujeitos à tributação periódicaNão tem
Isenção para vendas de até R$ 20 mil no mêsNão temNão se aplicaTem, no mercado à vista

A diferença que mais pesa no dia a dia é a saída. No fundo aberto, o resgate segue o prazo do regulamento. No ETF, você vende a cota para outro investidor na bolsa. Segundo a B3, o dinheiro cai em dois dias úteis no ETF de ações e em um dia útil no de renda fixa.

Quais tipos de ETF existem na B3

A B3 encerrou junho de 2026 com 204 ETFs listados, contra 175 no fim de 2025. O patrimônio desses fundos chegou a R$ 126 bilhões, e 870 mil investidores tinham cotas em custódia. Os dados são da própria bolsa, divulgados em 30 de julho.

De forma geral, esses fundos se dividem em três famílias. A B3 também lista ETFs de ouro e de criptoativos, que seguem índices próprios.

ETF de ações brasileiras

Acompanha índices de ações negociadas na própria B3. O mais conhecido replica o Ibovespa, mas há ETFs de índices de empresas menores e de empresas pagadoras de dividendos. Cada índice se comporta de um jeito, como mostra a comparação entre o Ibovespa e as small caps em cinco anos.

ETF de renda fixa

Acompanha índices de títulos públicos ou privados, como os que medem carteiras de títulos atrelados à inflação. Para ter a tributação própria de renda fixa, a Lei 13.043, de 2014, exige que pelo menos 75% da carteira esteja em títulos do índice de referência. O imposto desse tipo segue outra tabela, como mostramos adiante.

ETF internacional

Acompanha um índice de fora do Brasil, como o S&P 500, das 500 maiores empresas listadas nos Estados Unidos. A cota é comprada em reais, na B3, e o fundo investe no exterior. O resultado depende do índice e da variação do câmbio, a não ser que o fundo proteja a carteira da oscilação do dólar.

Existe um segundo caminho para o mesmo destino: o BDR de ETF. Nesse caso, você compra na B3 um certificado que representa a cota de um ETF listado em outra bolsa. Pela regra da CVM, parte desses certificados só pode ser comprada por investidores qualificados. Detalhamos como funciona o BDR em um guia próprio.

Para onde foi o dinheiro dos ETFs em 2026

O fluxo mostra onde os investidores colocaram dinheiro novo. Ele não diz se um mercado vai subir ou cair. Os números abaixo vêm de levantamentos públicos, cada um com recorte e data próprios.

MercadoO que aconteceu em 2026Fonte e data
ETFs do mundoEntrada líquida de US$ 1,71 trilhão, o maior valor já registrado para o períodoETFGI, janeiro a julho
ETFs listados nos Estados UnidosMais de US$ 1,4 trilhão, com recorde anual para países desenvolvidos e emergentesState Street, até 31 de agosto
ETFs listados na ChinaSaída de 805,3 bilhões de yuans no 1º trimestre e de 752,4 bilhões no 2ºMorningstar, até 30 de junho
ETFs listados na B3Patrimônio 38,5% maior no primeiro semestre, para R$ 126 bilhõesB3, até 30 de junho

No mundo, o maior volume já registrado

Os ETFs do mundo somavam US$ 23,11 trilhões em patrimônio no fim de julho de 2026, segundo a ETFGI. A entrada de US$ 1,71 trilhão em sete meses superou o recorde anterior para o período, de US$ 1,09 trilhão em 2025.

Entre as categorias que a consultoria acompanha, os ETFs de ações receberam US$ 772,88 bilhões, contra US$ 477,77 bilhões nos mesmos sete meses de 2025. Os de renda fixa receberam US$ 314,70 bilhões, contra US$ 216,53 bilhões.

Nos Estados Unidos, mais dinheiro indo para fora do país

Até 31 de agosto, os ETFs listados nos Estados Unidos haviam recebido mais de US$ 1,4 trilhão em 2026, segundo a State Street Investment Management.

Parte relevante buscou outros mercados. Os ETFs de países desenvolvidos fora dos Estados Unidos captaram US$ 129,6 bilhões, acima do recorde de todo o ano de 2025. Os de mercados emergentes somaram US$ 50,6 bilhões, novo recorde anual, acima dos US$ 37 bilhões de 2017.

Na China, resgates puxados pelo Estado

No sentido contrário ficou o mercado de ETFs da China. Os fundos listados no país tiveram saída líquida de 805,3 bilhões de yuans no primeiro trimestre e de 752,4 bilhões no segundo, segundo a Morningstar.

O principal motor foi a Central Huijin, braço de investimento do Estado chinês, que resgatou grandes volumes de ETFs amplos de ações. O patrimônio desses fundos terminou junho em 4,58 trilhões de yuans, 22% abaixo do pico do fim de 2025.

No Brasil, patrimônio 38,5% maior no semestre

Aqui dentro, o patrimônio dos ETFs listados na B3 subiu 38,5% no primeiro semestre de 2026, para R$ 126 bilhões, segundo a bolsa. O número soma o dinheiro novo e a variação das cotas no período.

Quanto custa um ETF, além da taxa de administração

O custo mais visível é a taxa de administração, cobrada ao ano e já descontada do valor da cota. A CVM obriga o fundo a divulgar taxas e despesas em destaque na sua página na internet. Taxa de performance não existe nesse produto, porque a norma proíbe.

Outros custos não aparecem na taxa. Na compra e na venda entram a corretagem, quando houver, e os emolumentos da B3. Existe ainda a diferença entre o melhor preço de compra e o de venda na tela, o chamado spread.

O spread depende da liquidez. Para sustentá-la, os ETFs contam com formadores de mercado, instituições que mantêm ofertas de compra e venda durante o pregão. A CVM proíbe que o gestor do fundo exerça esse papel.

No primeiro semestre de 2026, os ETFs da B3 negociaram R$ 1,85 bilhão por dia, em média. Em junho, só três fundos responderam por quase 60% desse volume, segundo a bolsa.

O último custo é o descolamento. Mesmo seguindo o índice, a cota costuma render um pouco menos que ele, por causa das taxas e dos ajustes de carteira. No ETF internacional, a variação do câmbio também entra no resultado.

Como o imposto sobre ETF funciona em 2026

As regras de 2026 são as mesmas do ano passado. A Medida Provisória 1.303, que mudava a tributação de aplicações financeiras, perdeu a vigência em 8 de outubro de 2025, depois de ser retirada da pauta da Câmara. Contamos essa história no artigo sobre a LCA.

Tipo de ETFImposto sobre o ganhoComo é pagoFonte
Ações brasileiras15%Pelo investidor, por DARF, até o último dia útil do mês seguinte à vendaB3
Internacional listado na B315%Pelo investidor, por DARF, como no ETF de açõesB3
Renda fixa25%, 20% ou 15%, conforme o prazo médio da carteiraRetido na fonte, sem DARFLei 13.043/2014, art. 2º
Rendimento distribuído (ETFs que não são de renda fixa)15%Retido na fonteLei 14.754/2023, art. 24

O ETF de ações não tem a isenção para vendas de até R$ 20 mil no mês que vale para ações.

No ETF de renda fixa, a alíquota depende do prazo médio dos títulos da carteira, e não do tempo que você fica com a cota. São 25% até 180 dias, 20% de 181 a 720 dias e 15% acima disso.

O ETF também não tem come-cotas, a antecipação de imposto em maio e novembro. Segundo a B3, o ETF de renda fixa também não paga IOF, mesmo em vendas feitas antes de 30 dias.

Se o investimento for feito direto em um ETF listado em outro país, sem passar pela B3, vale a lei das aplicações no exterior. Os detalhes estão no nosso texto sobre imposto sobre investimento no exterior.

Índice, moeda e prazo na sua carteira

Com uma única cota, o ETF resolve um problema prático: ter exposição a um índice inteiro sem montar a carteira ativo por ativo.

Diversificar fora do Brasil com ETF internacional envolve duas escolhas que andam juntas: o índice e a moeda. Um índice amplo e um índice de um único país se comportam de forma muito diferente. E a parcela em dólar depende das suas despesas, dívidas e planos fora do país.

O fluxo de 2026 mostra para onde o dinheiro foi e ajuda a entender o momento. Ele não responde se um ETF cabe na sua carteira. Essa resposta vem de prazo, liquidez, imposto e peso de cada moeda, definidos no planejamento financeiro.

Quer entender o papel dos ETFs e dos investimentos fora do Brasil no seu patrimônio? Converse com um assessor.

Perguntas frequentes

O que é ETF?

ETF é um fundo de índice cujas cotas são negociadas na bolsa, como ações. A carteira busca reproduzir um índice de referência, como o Ibovespa ou o S&P 500. Pela regra da CVM, pelo menos 95% do patrimônio precisa estar em ativos do índice, em contratos futuros dele ou em cotas de ETFs equivalentes.

Qual a diferença entre ETF e fundo de investimento tradicional?

O ETF é negociado na bolsa: você entra e sai comprando e vendendo cotas durante o pregão. No fundo tradicional, aplicação e resgate são feitos no próprio fundo, nos prazos do regulamento. O ETF também não tem come-cotas nem taxa de performance, que a CVM proíbe nesse tipo de fundo.

Como é o imposto de ETF em 2026?

No ETF de ações e no internacional listado na B3, o ganho paga 15%, recolhido pelo investidor por DARF, sem isenção de R$ 20 mil. No ETF de renda fixa, o imposto é retido na fonte: 25%, 20% ou 15%, conforme o prazo médio da carteira. As regras não mudaram em 2026.

O que é ETF internacional?

É um ETF negociado na B3, em reais, que acompanha um índice de fora do Brasil, como o S&P 500. O resultado reflete o desempenho do índice e a variação do câmbio, salvo quando o fundo protege a carteira do dólar. O ganho na venda é tributado em 15%, como no ETF de ações.

ETF paga dividendos?

Depende do regulamento de cada fundo. Alguns ETFs reinvestem na carteira os proventos recebidos das empresas. Outros distribuem rendimentos aos cotistas, o que a norma da CVM permite. Nos ETFs que não são de renda fixa, o rendimento distribuído tem 15% de imposto retido na fonte, conforme a Lei 14.754, de 2023.

Quantos ETFs existem na B3?

A B3 encerrou junho de 2026 com 204 ETFs listados, a primeira vez acima de 200. No fim de 2025 eram 175. O patrimônio desses fundos somava R$ 126 bilhões, e 870 mil investidores tinham cotas em custódia, segundo dados da própria bolsa divulgados em 30 de julho de 2026.